4 resultados citaram: A analítica queer e seu rompimento com a concepção binária de gênero

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A PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM GÊNERO NO BRASIL: UM PANORAMA DOS GRUPOS DE PESQUISA DE ADMINISTRAÇÃO

Este artigo tem como objetivo mapear as atividades desenvolvidas pelos grupos de pesquisa sobre gênero na área de administração e procurar compreender as relações entre eles. Identidades de gênero são vistas como importantes categorias sociais para a compreensão de relações de poder e interações humanas nas organizações. Para compreender como se dão tais relações que envolvem tal tema, o aporte metodológico contempla estudos bibliométrico e sociométrico da produção em gênero de líderes de grupos de pesquisa em administração que lidam com a temática, seja em linhas de pesquisa ou em impactos e ações apresentados na descrição do grupo, apoiado por estatística descritiva para facilitar a visualização dos dados. Foram encontrados 32 grupos com tais características, em sua maioria recentes (metade deles com cinco anos de formalização), que têm, ao todo, 42 líderes, os quais produziram, como autores ou coautores, 88 artigos sobre gênero, entre janeiro de 1995 e janeiro de 2014, com concentração em periódicos A2 e B3. O estudo sociométrico revela uma rede de coautorias pouco densa, sem um ator centralizador, caracterizando reduzido número de relações de coautoria e um número reduzido de autores que apresentam publicações pautadas em gênero, o que indica que o tema não é trabalhado por esses autores ou os trabalhos desenvolvidos não são voltados para produções científicas. Também indica a importância das orientações na pós-graduação, para a difusão do tema em diferentes universidades e para a manutenção de relações de coautoria entre pesquisadores, que foram, em determinado momento, orientadores e orientandos. A relevância dos resultados encontra-se na compreensão inicial do campo, a partir dos grupos de pesquisa que constituem um elemento importante para os programas de pós-graduação e para a produção científica. Como limitações, coloca-se a análise parcial dos grupos, apenas da produção científica dos líderes, além da possibilidade de desatualização de dados presentes no Diretório dos Grupos. Apresentam-se como perspectivas de investigação futura: um estudo aprofundado da produção científica analisada por meio da sociometria, o resgate histórico da constituição dos grupos e suas relações com projetos de pesquisa e extensão, financiados por agências de fomento.
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Ativismo LGBT organizacional: debate e agenda de pesquisa

Este trabalho analisa o debate sobre ativismo LGBT nas organizações. Inicialmente, elaborou-se um panorama da produção científica internacional, identificando contribuições, estruturas e objetivos dos ativismos e aspectos teórico-metodológicos. Baseado nisso, formulou-se agenda pautada nas sugestões e discussões. Para tanto, realizou-se levantamento bibliográfico na base Scopus de 2010 a 2019, submetendo artigos coletados a protocolo de revisão sistemática de literatura. Os resultados indicaram que essa pesquisa tem impulso nascente e privilegia, dentre os LGBT, sujeitos gays. Os estudos são amparados em diferentes referenciais teóricos e mais relacionados ao paradigma interpretativista. Prevaleceu o ativismo LGBT classificado como “abordagem informal internamente responsiva” (Githens & Aragon, 2009), com efeitos de bem-estar psicológico e maior possibilidade de ganhos de igualdade de direitos para sexualidades dissidentes em organizações que possuem ativismo. Novos caminhos podem estimular futuros estudos relacionados à temática no Brasil, tais como: mecanismos de voz; impactos na mudança organizacional; aspectos políticos e culturais; e utilização de metodologias mais críticas. A principal contribuição do estudo está em ser pioneiro ao tratar do ativismo LGBT, detectando linhas específicas para sua investigação em estudos organizacionais nacionais.
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Como é ser diferente em administração? A performance de discentes gays e bissexuais em uma graduação heteronormativa

Este estudo objetiva evidenciar a compulsoriedade heterossexual em Administração e sua relação com a performance de discentes gays e bissexuais do curso. Com base na compreensão sobre performatividade, performance, heteronormatividade e matriz de inteligibilidade, foram realizadas entrevistas com 16 discentes (gays e bissexuais) do curso de Administração de uma IES privada e, posteriormente, os enunciados coletados foram trabalhados a partir de análise do discurso. Percebemos que a heteronormatividade evidenciada na prática social da Administração compele práticas compulsórias aos discentes, sendo regida por normas que instigam a repetição de performances legitimadas e que se amparam na compreensão linear entre corpo, sexo e desejo. Os corpos dos discentes circunscritos no curso tendem a ser regulados com base em imposições estabelecidas a partir da compulsoriedade heteronormativa. Acreditamos ainda que a matriz heterossexual possibilita controle social na Administração a partir de elementos legitimados que projetam performances esperadas e que buscam conformar os corpos discentes sobre identidades previamente arquitetadas.
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OS CORPOS QUE (NÃO) IMPORTAM: USO DO DIREITO NA NORMALIZAÇÃO BIOPOLÍTICA DO GÊNERO A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA FOUCAULTIANA

Ao longo dos séculos, o controle político do estado sobre os indivíduos foi se alterando significativamente: da ostensividade de castigos físicos e suplícios às técnicas de controle cada vez mais sutis e eficientes. A problemática desse estudo se insere nas concepções foucaultianas de poder disciplinar e Biopolítica, sobretudo na ingerência estatal sobre os corpos e subjetividades a partir dos processos de normalização social operados na sexualidade humana. O presente artigo, por meio do método de abordagem dialético e utilizando-se dos métodos de procedimento histórico e bibliográfico, visa analisar de que forma a interpretação conservadora da sexualidade, possibilitou a construção de categorias de normalidade e anormalidade, que atendam a fins econômicos e políticos. Permite concluir que, como consequência de tais instrumentos de poder e em decorrência da projeção de formas estanques de masculinidade e feminilidade – calcadas em um sistema binário-, há um endosso à opressão identitária, sob a alcunha da sexualidade “desviante”, cuja implicação é a invisibilidade jurídica desses sujeitos, além da estigma social e a negação de uma existência digna por parte do Estado e do próprio sistema jurídico.