3 resultados citaram: Desenvolvimento sustentável e educação ambiental: uma trajetória comum com muitos desafios

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Ensino e pesquisa em gestão ambiental nos programas brasileiros de pós-graduação em administração

No Brasil, a educação ambiental tornou-se obrigatória em todos os níveis de ensino apenas a partir de 1999, com a lei nº 9.795, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). A área de administração ficou um tanto alheia a esse movimento, talvez pela dificuldade de gestores perceberem que negócios verdes podem ser lucrativos. Só ao compreender que sustentabilidade traz também inovação, é que se verifica que a preservação ambiental e a produtividade empresarial devem andar por caminhos confluentes. Este trabalho visa verificar se tal convergência tem sido sustentada pelo ensino e pela pesquisa em administração, levantando o panorama atual da pós-graduação em administração no que se refere à gestão ambiental. Concluiu-se que, dos grupos de pesquisa registrados no diretório de grupos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq - na área de administração, 25% abordam tópicos ligados à Gestão Ambiental, sendo que 93% desses grupos se iniciaram após 2002, ano em que regulamentada a lei nº 9.795/1999, ficando clara a importância de ações concretas do setor governamental para promover a educação ambiental. Pesquisando-se as grades curriculares das Instituições de Ensino Superior (IES) com programas de mestrado e/ou doutorado reconhecidos/recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), observou-se que 51% desses cursos apresentam tópicos relacionados à gestão ambiental e apenas 6% apresentam alguma das ferramentas a ela associadas. Vinte e cinco porcento desses programas não têm nem grupos de pesquisa nem disciplinas que abordem tópicos de gestão ambiental, salientando a necessidade de novos esforços em nível governamental, talvez na forma de avaliação das IES, para que a administração melhor contribua para a disseminação da sustentabilidade nos setores produtivos. Finalmente, observou-se que, do total de artigos publicados no período 2006-2012 nos seis principais periódicos nacionais da área de administração, 6,2% trataram temas de gestão ambiental. Isso representa evolução em relação aos 2,3% obtidos por Jabbour, Santos e Barbieri (2008) em pesquisa relativa ao período 1996-2005, porém corrobora, com os demais resultados desta pesquisa, que a produção científica nacional de administração em gestão ambiental, embora em expansão, ainda é incipiente.
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Valores pessoais e gestão socioambiental: um estudo com estudantes de administração

Este estudo buscou compreender as avaliações dos estudantes dos cursos de administração a respeito da gestão socioambiental nas dimensões de importância do conhecimento na área, importância da prática na área, e intenções futuras de envolvimento com a área e a sua relação com valores pessoais (as dimensões selecionadas foram conservadorismo antropocêntrico, e percepção de dominação sobre a natureza). As proposições iniciais são de que haveria uma relação negativa entre as dimensões de valores pessoais com a avaliação da importância e das intenções de envolvimento com a gestão socioambiental. Foi feito um estudo de campo, com dados coletados com 193 estudantes de graduação em administração de Instituições de Ensino Superior dos estados do Ceará, Paraíba e Rio de Janeiro. Inicialmente, realizou-se a verificação das propriedades psicométricas das escalas utilizadas, por meio da análise fatorial exploratória (Afe) e da aferição do Alfa de Cronbach para verificar a sua confiabilidade. Para a análise das proposições, foram verificadas as estatísticas descritivas (médias e desvios) em relação à avaliação que os entrevistados fizeram a respeito das dimensões estudadas. Posteriormente, as duas proposições foram testadas por meio de procedimentos de análise bivariada (correlações de Pearson e Spearman). Além disso, verificou-se a diferença entre as médias por gênero e por tipo de instituição por meio da análise de Variância (Anova). Pelos resultados das análises, verificou-se a existência de uma relação negativa entre o conservadorismo antropocêntrico e a avaliação pelos estudantes do curso de administração a respeito da importância da gestão socioambiental no curso, e também com o seu interesse de envolvimento com a área no futuro. No entanto, e contrariando as expectativas, as avaliações dos interesses não têm qualquer relação com a percepção e domínio humano sobre a natureza. Em relação ao gênero e ao tipo de instituição, houve diferenças significativas apenas nas dimensões de avaliação da gestão socioambiental com as mulheres e os alunos de instituições privadas demonstrando maior valorização dessa área. Não houve diferenças significativas nas dimensões de valores pessoais. Os resultados encontrados trazem avanços no entendimento dos fatores que influenciam o interesse dos futuros administradores em relação à gestão socioambiental.
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Teoria da aprendizagem transformadora: contribuições para uma educação gerencial voltada para a sustentabilidade

O presente estudo teve como objetivo geral compreender processos de aprendizagem transformadora - que objetivam transformações conscientes nos quadros de referência dos indivíduos, por intermédio da reflexão crítica sobre pressupostos - ocorridos entre gestores. Investigou-se a percepção destes acerca do impacto de problemáticas contemporâneas, enfocando, em especial, questões relacionadas à sustentabilidade. Além disso, discutiu-se o papel da educação gerencial na conscientização desses profissionais quanto à sua responsabilidade no desenvolvimento da sustentabilidade. Para a realização da investigação, foi adotado o método de história de vida. Essa abordagem metodológica favorece o estudo de processos de aprendizagem gerencial, possibilitando a contextualização pessoal, histórica, social, institucional e política das narrativas. Foram entrevistados sete gestores, e teve-se a preocupação de contemplar ambos os gêneros, diferentes faixas etárias e formações superiores, experiências em funções e setores diversos, e a realização de cursos de mestrado em diferentes instituições, obtendo suficiente riqueza de dados para análise e para a consecução do objetivo estabelecido. Os achados em campo revelam que a teoria e os processos de aprendizagem transformadora: 1. não podem ocorrer de modo individual, em meio a pressões sociais e corporativas contrárias, mas sim como um processo de transformação coletiva, compartilhado por outros, em meio a mudanças sociais e culturais; 2. abrem possibilidades para uma formação gerencial que vise a posturas mais críticas e reflexivas, levando em consideração a subjetividade dos indivíduos e visões mais inclusivas e participativas, tal como requer a educação para a sustentabilidade; 3. possibilitam a inserção crítica do gestor na sociedade, incorporando, no processo de ensino e aprendizagem, as dimensões socioeconômica, política, cultural e histórica, além das dimensões intelectual, afetiva e moral e não apenas as materiais, favorecendo o desenvolvimento da sustentabilidade. Sugere-se a realização de pesquisa-ação, em que se incorporem os fundamentos da teoria da aprendizagem transformadora em programas de educação gerencial que promovam a sustentabilidade, dados os potenciais benefícios da reflexão crítica para a consecução dos seus objetivos.