Capital turístico e a estruturação do campo

Este artigo analisa como o capital turístico estrutura o campo turístico em contextos urbanos, a partir de um estudo de caso em uma zona histórica e portuária no Brasil. Ancorado na perspectiva bourdieusiana, o estudo propõe o conceito de capital turístico como uma forma de capital relativamente autônoma, capaz de organizar disputas entre agentes e influenciar a formação de coligações no turismo. Metodologicamente, adota-se uma abordagem de métodos mistos, combinando entrevistas semiestruturadas (n=59), análise documental e mapeamento relacional dos agentes, com operacionalização analítica dos capitais econômico, cultural, social e turístico. Os resultados evidenciam que o capital turístico desempenha papel central na hierarquização dos agentes, sendo apropriado de forma desigual entre os agentes de Estado, mercado, turistas e moradores. Observa-se que agentes estatais e de mercado concentram maiores volumes desse capital, enquanto moradores e trabalhadores permanecem marginalizados, com baixa capacidade de influência no campo. O estudo contribui ao avançar teoricamente a noção de capital turístico, articular campo turístico no contexto urbano e propor uma abordagem relacional para análise empírica de capitais. Os achados dialogam com dinâmicas observadas em cidades latino-americanas, ampliando o debate sobre desigualdade e estruturação do turismo.
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