Desafios à Inclusão Substantiva nas Organizações: Um Estudo Fenomenológico com Surdos

RESUMO Objetivo: compreender o processo de inclusão/exclusão do sujeito surdo nas organizações a partir de uma perspectiva substantiva de análise. Marco teórico: introduzimos a discussão a partir do processo inclusão-exclusão nos estudos sobre diversidade. Apresentamos as especificidades da inclusão de surdos e discutimos conceitos importantes nesse processo. Tomando-se como base a perspectiva interacionista, que põe em relevo a comunicação e a linguagem intersubjetivamente partilhada, traz-se à discussão o confronto entre os universos simbólicos do surdo e do ouvinte como desafios últimos à inclusão. Método: adotamos a fenomenologia para analisar a experiência vivida por um grupo de trabalhadores surdos em uma planta industrial de uma multinacional. Resultados: o estudo resultou em três essências: (a) o trabalho em sua dimensão ontológica, como oportunidade de expressar a igualdade do surdo em relação ao ouvinte; (b) a necessidade de intercâmbio cultural a partir da ação comunicacional surdo-ouvinte; e (c) a necessidade de aceitação e pertencimento à organização social. Conclusão: concluímos apresentando o processo de inclusão-exclusão, em que a partilha de significados, a partir da língua de sinais, leva à integração na organização social. Tal integração permite o reconhecimento do trabalho e a participação plena nos processos organizacionais. O elemento mediador é a comunicação, que pode ser ponte ou barreira à inclusão, sendo mobilizada a partir de relações afetivas entre surdo e ouvinte. Analisando de um ponto de vista substantivo, ser incluído é, para o surdo, ter um trabalho reconhecido, no qual possa realizar não apenas uma tarefa, mas também o intercâmbio cultural com o ouvinte, de modo a participar da organização social cotidiana.
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